sexta-feira, 10 de abril de 2009

Ela

Como diz o Nigro: Julia rocks!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Eu e as cidades

(Arredores do Hyde Park, semana passada)

Não sei se é pelo regresso de minha primeira viagem internacional depois que virei mãe (a trabalho, é verdade, mas ainda assim uma viagem!) ou se pela leitura de dois livros seguidos com o tema emaranhado, talvez por causa de ambos, o fato é que tive vontade de escrever sobre cidades.

Voltei de Londres; acabo de resenhar para UOL (link abaixo) o novo livro de contos do Hatoum que tem Manaus como epicentro; e agora estou lendo “O Filho da Mãe”, de Bernardo Carvalho, cujo centro de tudo é São Petersburgo. Três cidades, três moldes.

De tanto ler e pensar, cheguei a minha própria história – nos últimos 12 anos, cinco cidades: Recife (onde tudo começou), Olinda, Belo Horizonte, São Paulo, Barcelona, e mais uma vez São Paulo. E planos de outras, muitas outras.

Fui uma em cada cidade? Não. Mas sim que cada cidade me alterou de uma forma. Apagou pedaços, desenhou outros. Claro, desse jeito a vida é saudável. De minha parte, desconheço prazer melhor que o “sentir-se estrangeira”. E talvez por isso goste tanto de São Paulo.

Um brinde ao desconhecido – quem gosta de desvendar mapas vai entender do que estou falando. É gostar do gosto de abrir o guia de ruas ou tentar entender onde começa West End e onde termina Westminster.

Em muitos dos contos do Hatoum, há um olhar estrangeiro. Seja do gringo que está certo de ter chegado ao fim do mundo, seja do brasileiro residente nos Estados Unidos e ainda assim perseguido pelas lembranças de Manaus. Dá quase para sentir o cheiro de cachaça, do sol da tarde e da floresta da cidade pensada por Hatoum.
A São Petersburgo de Bernardo Carvalho está em obras. Os personagens estão sufocados de poeira, andaimes e telas protetoras de prédios em reforma. E mesmo tendo como imagem paralela a guerra da Tchetchênia, é a cidade em mutação que dá o ritmo à trama. Enfim, desse livro não posso falar muito porque ainda não terminei de ler.

O resumo é que eu gosto de estar onde estou porque nunca deixei de ser um pouco estrangeira em São Paulo. E nem quero deixar de ser. Só assim dá para sentir-se em casa em território distante, mesmo sem saber muito bem distante de quê.
Resenha de “A Cidade Ilhada”, de Milton Hatoum em

sábado, 28 de março de 2009

From London

Falta
É uma coisa que se tem
Presente

(Muitos quilometros distante da minha baby, um sorriso me toma quando penso nela!)

domingo, 15 de março de 2009

Julia e o mar

Julia cresce feliz e eu me renovo.
Agora deu de gritar - muito e estridente, minha jandaia.
Lindo ver minha filha descobrir a voz.
Aliás, a mocinha é muito musical.
Adora um barulhinho no pé do ouvido, ao que responde com risos e gritos finos.
Já tem dois dentinhos (os inferiores) e também aprendeu a se virar (dizem que é o primeiro passo para engatinhar!).
Dorme cada dia menos de dia e mais de noite.
É uma doce companhia.
Gosta de algazarra, brincadeiras doidinhas e de um bom pé de valsa por perto.
Continua atenta, curiosa, capaz de perceber um novo objeto na sala com um olhar.
E há duas semanas, conheceu o mar.
No primeiro dia, reclamou da água, teve medo das ondinhas e buscou refúgio no meu colo.
Gostou sim de ficar na sombra do píer do hotel, de onde olhava o mar e gritava alto! Feliz.
Os dias se passaram e ela foi sendo conquistada. Um dia antes de nossa volta, já estava apaixonada.
Fotos desses dias, quando eu também comemorei meu primeiro aniversário ao lado dela:












quarta-feira, 11 de março de 2009

Fases

Você tem se sentido deslocado, como se estivesse esquecendo alguma coisa importante? Tem sentido que as coisas em sua volta estão sendo atropeladas? Que está tudo rápido demais ou você é quem está fora do ritmo? Não se preocupe, nada pessoal. Minha astróloga disse que tem uma conjunção astral peculiar, além de ser lua cheia – uma combinação explosiva! Ufa.

Para ler ouvindo Air

Alessandro Baricco é escritor, mas já teve seus momentos de músico - quando lançou "City Reading", em 2003, resultado de uma parceria com a dupla eletrônica francesa Air. Foi o primeiro autor italiano a participar da Flip, é formado em filosofia e música, e autor do ótimo "Seda", que resenhei para UOL.

Gostei e recomendo:
http://diversao.uol.com.br/ultnot/livros/resenhas/2009/02/16/ult5668u81.jhtm

sexta-feira, 6 de março de 2009

Meu momento detetive

(Alexander McCall Smith. Crédito: Churchtimes.uk)

Pronto, me rendi a Alexander McCall Smith. Para quem não lembra, esse senhor com visual bonachão é um dos mais aclamados escritores de suspense/policial da atualidade. Nascido na África, McCall Smith cresceu e vive até hoje na Escócia. É em Edimburgo, aliás, que ele ambienta “Amigos, Amantes, Chocolate” (Companhia das Letras, 240 páginas), livro que marca a volta da filósofa bisbilhoteira Isabel Dalhousie. A mesma Isabel esteve em "O Clube Filosófico Dominical" (de 2004, lançado por aqui em 2007 pela mesma Companhia das Letras).

Isabel é a comportada editora da Revista de Ética Aplicada. Solitária entre seus livros, ela vê uma oportunidade de respiro quando a sobrinha a convida para substituí-la no comando de uma delicatessén. Ela passa uma semana entre queijos, embutidos e vinhos. Troca as perturbações da humanidade pelos doces dilemas de clientes indecisos entre chocolate belga e biscoitos de aveia. Era para ser uma experiência fugaz se não fosse o encontro com Ian, um psicólogo que acaba de passar por um transplante de coração.

É nesse ponto que a trama ganha doses certeiras de suspense. Ian enxerga um rosto desconhecido desde que deixou o hospital com um novo coração. E desconfia que a visão seja uma prova de ter herdado a memória do doador. Ai a história de McCall Smith embarca no misterioso mundo da memória celular, enveredando por contradições instigantes entre acaso e paranormalidade, e por ai segue.

Esse livro me fez lembrar do Marflasí, um grupo de bisbilhotagem que criei junto com duas amigas de infância. No alto dos nossos 12, 13 anos, pensamos que juntas conseguiríamos desvendar grandes mistérios do bairro. Tipo o quê? Bom, a gente queria descobrir em que trabalhava um mocinho interessante e misterioso da rua; qual a doença secreta da menina do prédio da frente do meu e a razão para um outro estanho rapaz do bairro se esconder por trás de barba e cabelos compridos demais pro nosso gosto. Eram causas importantes, e que exigiam discrição – tudo que três meninas curiosas por natureza precisavam para se divertir. Não lembro se chegamos de fato a desvendar algum dos mistérios, mas que foi divertido seguir gente sem se deixar notar, ah isso foi!
Em tempo: Marflasí = Marta + Flávia + Silvana.

De volta ao livro, e a delícia de ler um bom suspense, selecionei algumas frases dos diálogos de Isabel que merecem ser lembradas.
A resenha, na íntegra, está no:
http://diversao.uol.com.br/ultnot/livros/resenhas/2009/03/03/ult5668u83.jhtm

RECORTES:
“Birutas nunca riem de si mesmos” (p.144)

“Atos mentais não requerem linguagem” (p. 196)

“O que é o patriotismo senão o amor às guloseimas que comíamos na infância” (p. 230)