Uma coisa que gosto muito na tarefa de resenhar livros é quando, durante a leitura, encontro a chave do enredo. Uma frase, um diálogo, um desfecho de capítulo que resume a intenção narrativa. Foi bom quando, na página 318, encontrei a “chave” de “Um dia”, de David Nicholls – super best seller internacional. Resenha no UOL:
http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/livros/resenhas/livro-que-originou-filme-com-anne-hathaway-um-dia-e-relato-espirituoso-sobre-o-tempo.jhtm
http://entretenimento.uol.com.br/ultnot/livros/resenhas/livro-que-originou-filme-com-anne-hathaway-um-dia-e-relato-espirituoso-sobre-o-tempo.jhtm
Foram três noites indo dormir pensando se a história de Emma e Dexter era ou não de amor. E só depois de ler mais de 300 páginas, entendi se tratar de uma história sobre o tempo. Talvez o tempo do amor, mas acima de tudo sobre o tempo.
“Quando eu era mais jovem tudo parecia possível. Agora nada parece possível”, diz Dexter aos 35 anos a Emma, “para quem o oposto tinha provado ser verdade.” Dexter acaba de perceber sua precoce e fútil carreira na televisão desandar, ao mesmo tempo em que sente seu sucesso com as mulheres ameaçado.
Por que o tempo é tão amigo de uns e tão inimigo de outros? Ou, como no caso dos dois personagens do livro, por que a vida parece ser ascendente para uns e descendente para outros? Boa pergunta, heim. O melhor já passou ou o melhor estar por vir?
Eu não tenho dúvida: o melhor estar por vir, sempre. E nunca será suficiente, se Deus quiser. Mas mesmo Emma, que fica mais bonita e bem sucedida com o passar dos anos, não abandona sua postura insegura. A mesma postura que, em outras proporções, a deteve no papel de uma jovem sem graça e sem talento.
Bom, mas ninguém disse que Emma era uma heroína. Aliás, não precisa muito esforço para detestar Dexter e perder a paciência com Emma.
Entre Dex e Em se estabelece uma relação romântica desastrosa e frustrante. Um bom exemplo na literatura do ”amor líquido” que trata Bauman. Por mais que esteja evidente uma força sólida (e racional) que os aproxima (encontros marcados, tentativas de reaproximação e recordações que persistem por 20 anos), está claro que a vida continua apesar da ausência, e isso exige molejo nas adaptações.
Em 20 anos:
Dexter coleciona casos fúteis, casa, descasa, se desmantela apaixonado por outra diante de Emma.
Emma casa, descasa, esquece o significado de uma relação, mas não se deixa esquecer aquela primeira noite com Dexter, um dia após a formatura.
“Às vezes você percebe quando os seus grandes momentos estão acontecendo, às vezes eles surgem do passado. Talvez seja a mesma coisa com as pessoas” – James Salter, Burning the Days.
Por duas décadas, Dex e Em tentam recuperar a magia da primeira noite. Mas o tempo de um nunca é o tempo do outro.
Fora que Nicholls é um cronista do contemporâneo, e boa parte da história está ambientada em Londres e eu amo tudo isso. Como o trecho em que Emma cogita um ato de rebeldia com o celular que ganhara do amante. “E por um instante Emma pensa em como seria bom atirar aquele maldito aparelho no Tâmisa, ver o telefone atingir a água como um tijolo. Mas antes teria de retirar o chip, o que de certa forma mataria o simbolismo, e esse tipo de gesto dramático só funciona em filmes e na TV. Além do mais, ela não teria dinheiro para comprar outro aparelho.”
4 comentários:
parece ser lindo. Gostei dos seus apontamentos. Vou na UOL ler a crítica. bjs, ;-)
ale staut
Suas letras quando somem fazem muita falta, talento, sensibilidade sempre nos preenchem com alegrias! Adorei a foto de Portugal e do tênis. A juventude na grama, na terra, na alma! Beijos querida! lu
pena q vc escreve poucas vezes aqui. bjs. anne.
Olá,
Gostei bastante do blog.
Gostaria de saber se está disponível para fazer uma ligação ao meu blog.. Eu fazia uma ligação do seu blog e você fazia do meu... Uma parceria.
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