Essa semana, no UOL, tem uma resenha minha sobre o divertidíssimo "O Amor é Fogo", de Nora Ephron. O livro é dos anos 80, inspirou o filme "A Difícil Arte de Amar" de 1986, mas só agora ganha tradução ao português e é lançado pela Rocco.
Não vou entrar aqui na polêmica clichê sobre o que é literatura, mas o fato é que esse livro é realmente divertido. Não sei se entra nos cânones dos textos imortais, mas me fez dar altas risadas. E isso já vale a viagem.
É a história real da autora transformada em romance. Nora, que é roteirista de Hollywood, estava grávida de sete meses do seu segundo filho quando descobriu que o marido a traía. Foi por terra, assim, sua vida de propaganda de margarina. Alguns anos de terapia depois, ela exorcizou o monstro da traição escrevendo esse livro. E fez do drama pessoal uma história hilariante, para dizer o mínimo. Fazia tempo que eu não lia um livro gargalhando alto. Bom demais.
E ai fiquei pensando sobre esse talento em tirar humor das coisas tristes, principalmente das próprias coisas tristes. Talvez eu seja um pouco assim também. Gosto de fazer piada nos momentos menos apropriados ou, melhor, prefiro enxergar o lado bem humorado da cena.
Da minha tragédia pessoal (a morte do Marquinhos) ainda não consigo ver o lado, digamos, engraçado. Talvez precise me distanciar do episódio em si para ver alguma coisa mais que tristeza. No entanto, me lembro de dois episódios interessantes.
1. Esse eu não vi acontecer. Soube depois. Era o velório. Eu, desolada, não arredei o pé de perto dele, fiz questão de aproveitar cada segundo perto da matéria. Toda hora alguém me oferecia alguma coisa para comer ou beber. Lembro de ter tomado alguns sucos, vitaminas, sei lá. Mas numa das vezes, não quis o suco ou sei lá o que era e sugeri à Ana (a mulher maravilhosa que cuidava da nossa casa e da gente naquela época) para dar o tal suco à minha cunhada. E eis que Ana se vira e se depara com a ex-mulher do meu cunhado ao lado da atual namorada do meu cunhado. Dizem, houve uns minutos de constrangimento, porque Ana não tinha a menor ideia qual das duas eu chamava de cunhada. E nenhuma se apontou. O suco ficou sem dono, dizem.
2. Cortejo a caminho do enterro, uma dor indescritível no meu peito. A Nina segurava uma das minhas mãos. Na outra, meu sobrinho Caio. Ai, eis que o mocinho no alto dos seus 8 anos na época trava o seguinte diálogo comigo:
- Titia, você acha que o Totô (era sim que ele o chamava) viveu muito ou pouco?
- Acho que ele viveu pouco, Caio, mas intensamente.
- Como assim?
- Uai, Caio, ele viveu poucos anos, mas fez tudo que quis, conviveu só que quem amava, não deixou nada por fazer e, mais importante, lutou para realizar todos os seus sonhos.
(Alguns segundos de reflexão depois...)
- Hummm, se é assim, eu tenho que lutar para ter um cachorro de estimação!
(Em tempo: quatro meses depois, Caio conseguiu convencer a mãe e ganhou o choko, um cachorrinho muito fofinho!)
Ah, a resenha:
http://diversao.uol.com.br/ultnot/livros/resenhas/2009/02/02/ult5668u79.jhtm
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Mais galeria de Ju
domingo, 25 de janeiro de 2009
Olha a Ju ai gente!
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Juno com pimenta
Não vou mentir: eu esperava mais de "Minha Vida de Stripper", de Diablo Cody (Ed. Nova Fronteira). Provavelmente minhas expectativas estavam baseadas em Juno, filme que amei e que tem a autora como roteirista. Mas não deixa de ser interessante ler as peripécias de uma garota de classe média americana que resolve apimentar a vida trabalhando como stripper em casas suspeitas de Minnesota. A história é verdadeira, até onde pode existir verdade numa narrativa, e a narradora tem muito a ver com a Juno do cinema, principalmente no jeito divertido, quase doce, de encarar os problemas da vida.
Resenha publicada no uol:
http://diversao.uol.com.br/ultnot/livros/resenhas/2009/01/19/ult5668u75.jhtm
Resenha publicada no uol:
http://diversao.uol.com.br/ultnot/livros/resenhas/2009/01/19/ult5668u75.jhtm
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Oh pedaço exilado de mim
"A saudade é o revés de um parto" (Chico Buarque)
Uma velha/nova amiga me lembrou essa frase incrível do Chico, que me levou à música que é a melhor trilha sonora desses nove meses sem o Marquinhos, o pedaço exilado de mim.
Uma velha/nova amiga me lembrou essa frase incrível do Chico, que me levou à música que é a melhor trilha sonora desses nove meses sem o Marquinhos, o pedaço exilado de mim.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Viver e dançar
Algumas músicas me dão uma vontade louca de viver! Viver 100 anos!
Como essa:
http://www.youtube.com/watch?v=N-mqhkuOF7s
Como essa:
http://www.youtube.com/watch?v=N-mqhkuOF7s
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Para todos nós
Li (e resenhei para o UOL) “Para Francisco”, de Cristiana Guerra, livro baseado no blog homônimo que está entre os favoritos desta minha página. Até demorei a ler. Não consegui ir ao lançamento e acho que tive um pouco de medo de começar essa leitura.
É que a história da Cristiana e a história do diário que ela escreve ao filho estão incrivelmente relacionadas à minha. E são bem parecidas: ela perdeu o Gui quando estava grávida de sete meses e eu perdi o Marquinhos com cinco. Além disso, eu conheci o blog dela dias antes da morte do Marquinhos. Lembro que estava com ele no MSN e passei o link na mesma hora. Ele, muito espirituoso que era, mandou uma resposta do tipo “eu que não vou ler esse blog estando grávido”. Eu concordei com ele (já estava aos prantos de emoção) e parei de ler. Dias depois me vejo na mesma situação da Cris e foi inevitável pensar nela.A verdade é que ter lido esse blog apenas dias antes foi muito, muito importante. Ajudou a ver, no meio daquela desgraça toda, que eu não era a única a passar por aquilo. A não entrar naquela paranóia que um raio caiu exatamente sobre a minha cabeça, sabe? E ver a Cristiana tão linda, cheia de vida e de sonhos, feliz com Cisco me fez e ainda me faz lembrar que o tempo passa, embora pareça parado. É como se ela fosse pós-graduada num curso que eu comecei a fazer.
Tive medo de ler o livro achando que ia sofrer (não é ilusão, a letra no papel ganha mais peso que na tela do computador), mas não. Foi bom e mais uma vez me fez pensar.
O bom do livro da Cristiana é que ela consegue dar nome a coisas que até então eu via inomináveis. Eu leio falando alto: “ah, então é isso!”. Aprendo mesmo. O que não quer dizer que seja um livro para viúvas. Qualquer pessoa se emociona com a forma doce de fazer relatos. A Cris (que já é uma amiga virtual) usa de uma leveza mágica para falar da vida. Tenho impressão que o Francisco (além de lindo) vai ser um mocinho muito orgulhoso dos pais que tem.
A resenha, na íntegra:
http://diversao.uol.com.br/ultnot/livros/resenhas/2009/01/07/ult5668u73.jhtm
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